quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Vai chover, Potato.

Meus textos são sempre em 1ª pessoa. Não sei se é mais cômico do que trágico, ou trágico do que cômico.

Bateu aquela vontade de fugir de tudo e todos e construir um nada bem grande entre os suecos do msn e a minha cama. Tem aquele feeling de "eu não sirvo pra nada" com "ninguém me quer".

Não que alguém realmente leia o meu blog, mas eu devo parecer bem mais melancólica do que sou quando eu escrevo aqui. Quer dizer, eu bem reclamo de tudo e é sempre algum textinho com desfecho amargo.

É que tá tudo bem mal estruturado e cada vez mais simples na minha mente. Simples no sentido de pouco relevante. Foda-se o meu bilhete único sem saldo e o fato deu comer pastel quase todo dia. Eu não me importo em andar e gosto da conversa do pasteleiro japonês galanteador.

O bom é que vai chover e eu tenho mil motivos pra ficar alegrinha por pouco.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Espera.

Bom mesmo seria se todos naquele pub fossem o que aparentassem ser.

Talvez nem todos. Não a garçonete de olhar vazio e desanimado. Ela deveria ser muito mais feliz e realizada do que aparentava ser. Toda a sorte do mundo pra ela.

Tocou Hey Jude e eu logo pensei que o McCartney mentiu feio pro primogênito do Lennon. Tomei um gole de breja e ri do pensamento anterior. O bar inteiro cantava a música, errava uns parágrafos e ria. O bar, meus amigos e eu. Essa música é sobre esperança, sabe. Eu devo ter a minha de uma forma ou de outra.

Não fico bêbada já faz um tempo. Não me acho digna de ninguém desde sempre. Ouvi de uma amiga que me faço de difícil. Não mesmo. Acho que sou puramente o reflexo daquilo que tenho que ser. Não que eu esteja me resignando, mas todos temos que concordar que eu nunca fui, sou ou serei a beleza clássica que se espera.

É que eu estava bebendo cerveja inglesa endeusada e assistindo você ir embora na minha mente. Doeu um pouco no começo, mas já era de se esperar. Meu cartão de memória é de infinitos gigas e ele até tem uma pastinha personalizada com seus dados e links.

De qualquer forma, obrigada. A culpa é toda minha e da minha ingenuidade. Eu fiquei feliz quando soube de vocês. Ela é linda e tudo que se espera para alguém como você.

domingo, 17 de outubro de 2010

Tiger Mountain Peasant Song inspiration.

Gosto de paixões platônicas.


Imaginar o quão carente aquele cara que vi tocando Love me do em sua gaita no metrô é. O quão cult os 3 garotos da minha faculdade são, cada qual em sua casta. O quão educado é o vendedor da loja de livros.

Seus gostos musicais, seus interesses, seus problemas. Se gostam de cinema, conhecem rugby, sabem apreciar uma boa cerveja barata num buteco. Se a mãe é preocupada, se a mãe é descolada, se a mãe está morta. Os sapatos que vestem, as meias que preferem, a camisa larga, curta ou pra dentro da calça.

Avalio o perfil a ponto de definir até o tom de voz perfeito em que deveriam abordar uma mulher, a ponto de definir também a mulher perfeita para eles.

Indelevelmente essa mulher não sou eu. Ela sempre tende a ser a Joan Baez ou a Jeanne Moreau, ou alguma garotinha de meu convívio que se assemelhe melhor ao meu parceiro platônico.

Talvez por serem impossíveis, talvez por serem cômicos na minha mente, essas paixões perduram por anos, pra sempre. Sem exageros, consigo lembrar das minhas paixotines de colégio com a mesma intensidade que as sentia na época.

Nunca conquistei nenhum desses caras. A maioria deles eu nem mesmo falei. Não faria sentido falar, perderia o encanto. Gosto do mistério, da imagem idealizada, do frio na barriga que dá ao passar do lado.

Certamente tudo isso soa bem infantil, mas há de fazer sentido para aquelas que gostam do que jamais foi convencional e sempre será atemporal.


P.S.: Sim, eu sei que essas garotas não convencem muito visualmente, mas simplesmente feche os olhos e escute. Além de ser uma das melhores músicas do Fleet Foxes, esse cover das suecas está realmente soberbo e ilustra muito bem a "convencionalidade e atemporalidade" do meu textinho.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Epifania.

Dizem que os irlandeses são os "italianos celtas", vide a máfia e a mob das metrópoles com descendentes nos Estados Unidos.

Pedi ao taxista que me levasse a um bom pub com boa comida. Ele me arrancou uns 30 euros e me levou até o Dolan's Pub & Restaurant na Dock Road de Limerick. Gostei de cara. Até perdoei o ato de extorquir turistas do coroa ao volante. Afinal, e apesar de tudo, são o povo mais gentil do mundo segundo essas pesquisas que ninguém sabe de onde surgem.

Garoava, claro, mas dei apenas uns 5 passos até a pesada porta verde de entrada. Uma idosa garçonete pegou meu casaco e malão com toda a doçura e logo tratou de me acomodar em uma mesa de canto para seis ou sete pessoas. Reafirmava a tradição do lugar o sofá embutido estofado em couro deveras gasto, fazendo par com a mesa. Isto, acompanhado dos locals, frequentadores do pub, que pareciam conhecer todos que ali estavam exceto a mim.
- I'll have a Pint and a hot Stew.
- Grand, young darling. Our Stew is for sure the best around. - Disse com o sotaque carregado que tanto adoro. Colocou um cinzeiro na mesa antes de se retirar, quase que adivinhando a minha alegria em compartilhar nicotina nos poucos lugares fechados públicos que ainda se é permitido. Como diabos não amar esse país?

Acendo o cigarro e me sinto um pouco desconcertada por estar só. O lugar não estava cheio, mas a mesa dava a entender que estava esperando gente. Ou talvez eu fosse a única que estava pensando isso e todo o resto estava preocupado em ver o Munster ganhar do Leinster, beber outra pint, ver seus netos crescerem, suas ovelhas darem lã e todas essas preocupações que não soam nem um pouco mundanas para nós, endiabrados das cidades grandes.

Minha pint chega, acompanhada da pergunta de por quê me encontrava justamente nesse pub. Lhe contei do taxista e da minha escolha às cegas. A senhora riu e atracou minha cabeça ao seu avental, dizendo o quão doce eu era. Lembrei da minha nonna.

Com a cerveja escura repousada, a sensação de desconcerto é ainda maior. Ninguém sozinho está sentado em mesas. Aliás, não existe ninguém sozinho ali. Os casais, famílias, compadres, crianças e até o padre da região estão interagindo, rindo e vibrando com o jogo de rugby da TV. O clima é tão bom que observando apenas gesticulações de um senhor que encenava o que parecia ser um homem tentando ligar um trator me fez gargalhar sem nem mesmo conseguir ouvir a estória. Claro, esperei que ninguém tivesse visto minha reação.

- Yooou byy yourrrselvee? - Percebo um jovem com o vestígio de um riso no rosto. Viu minha gargalhada.
- Ahn, yeah.
- Shall I make you company then? - Apenas aceno com a cabeça.
Apago meu cigarro, ele se senta.
- You shouldn't smoke, you know.
- Oh, what kind of Irish are you? Health generation? - Brinco. Ele parece não gostar, mexe no bolso e joga um maço na mesa. Dou risada, ele também. Sempre curti o sarcasmo dessa gente.

Meu Stew chega, acompanhado de pão e da senhora Molly.
- Jim, lad, you behave yourself. This lady is classy. - Puxa uma das orelhas do garoto.
Pergunto se ele está servido e ele recusa, diz já ter comido. Dou a primeira colherada e, puta que o pariu, lembro o quanto eu gosto da coisa. Ele diz para tomar cuidado e não morrer engasgada, principalmente porque ele quer saber meu nome antes disso. Limpo a boca e digo que se eu terminar o prato a salvo, conto meu nome.

Estou longe de me sentir desconfortável depois disso. Pelo contrário, a sensação é de uma completa local conversando com um amigo de catequese.

O tal Jim era alto, ruivo, olhos de mármore azul. Mãos grandes, bochechas rosadas, botinas gastas e clássicas. Carregava uma boina na mão e a posição das suas pernas em direção as minhas denotava puro interesse na brasileirinha, mesmo que ele ainda não soubesse minha nacionalidade. A camisa por baixo do colete, a jeans alta dobrada nas barras. Se me pedisse em casamento naquele segundo, com sopa de batatas e músculo na boca, eu diria "SIM! PRO RESTO DA MINHA VIDA EU SÓ DOU PRA VOCÊ! CRIO 12 FILHOS CONTIGO NUM QUARTO E COZINHA!" e viveria em pé de guerra com uma sogra católica louca e longe da minha amada São Paulo eternamente. Porra, finalmente era capaz que tudo isso acontecesse.

Eis que engasgo com o ensopado e morro.

sábado, 21 de agosto de 2010

Nosotras e os calejados do esporte.

"FAZ A LINHA, FAZ A LINHA! AFUNDA!"

Começo torcendo o pé de levinho...só pra ficar gostoso.
As meninas novas chegam. Nosotras paramos para recebe-las bem. O mais importante é fazer todo mundo se sentir a vontade.

"Senhores (e senhoritas), chega de touch, vamos aquecer!"
Aquecimento gradual. Uma volta no campo, séries de abdomial,flexão, um exercício com nome inglês que consiste em pular,agachar e flexionar (que nosotras substituímos por agachamento).

Passes de bola em linha. As novatas estão indo muito bem.
O irlandês engraçado está treinando e o inglês sessentão humilhando como sempre.
Treino de contato. Adoro. Derrubo o Andy sessentão e me sinto o Sébastien Chabal feminino por um curto período de tempo, até me dar conta que estou morrendo e esfolei o joelho.

Já não sinto as coxas, o sol está nordestino e as panturrilhas fervem.
"PRIMEIRA LINHA, COM O ANDY PRA TREINAR SCRUM! SEGUNDA LINHA COMIGO!"
Eu, doida pra treinar scrum. A capitã diz que é melhor que nosotras perguntemos ao Tim o que treinar.

Treino de passe e tackle para as novatas e o prodígio novo garotinho. Aprender a tacklear é arte linda de Deus.

Enquanto os homens fazem um touch seguido de um jogo "sério", nosotras conversamos um pouco.

Alongamento com o exercício que mais odeio: resistência de braço. Mas é sempre válido quando se pode aproveitar para ver umas bundinhas brutas e grigas se alongando.

Nos juntamos, formando a clássica roda com todos abraçados. As novatas ao centro, dizem o nome, apelido e o que gostam de beber. Outra coisa linda de Deus: gostar de beber é fundamental. Finalizamos:
"UNIÃAO!"
"RUGBY!"
"UNIÃAO!"
"RUGBY!"
"UNIÃAO!"
"RUGBY!"

Palmas bregas, alguém oferece carona e cada garotinha e marmanjo para o seu canto.


Nosotras até o próximo treino.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Cor de berinjela

Minha mãe já colocou berinjelas na fruteira de casa, motivo de um acesso incontrolável de risos da companheira/irmã japonesa. Mas acabou que eu gostei delas ali. Nunca perguntei o porque de tais legumes estarem em uma fruteira, mas a imagem da cor na minha cabeça é indelével. Segundo os místicos, essa cor combate medos e contribui para a paz interior.

Comprei um novo relógio pra cozinha, cor de berinjela. Reparei que tenho seis blusas e duas bolsas cor de berinjela. Não sei se sou tão medrosa, mas paz interior não tenho. Quem têm? Gandhi? Carpinteiros famosos? Pacifistas esquerdistas? Minha poodle idosa? Enfim, o fato é que aparentemente estou buscando a minha. Subjetivamente novamente.

domingo, 4 de julho de 2010

O que vem do coração mas se sente no estômago

Eu não gosto de você. Eu não gosto de você nem de mim mesma. Mas estou tentando gostar. De mim mesma. Não dê.

Você. É engraçado perceber o quanto me pego perdida em você. Te esperando. Maquinando se minha ansiedade é recíproca.

Nem em um bilhão de anos tudo isso daria certo. Ou daria se eu não fosse inadequada.

Para mim e para você. Daria pra casar e fazer sexo mimimi ou selvagem. Daria pra beber breja nacional barata ou Guinness Extra Stout e rir de como eramos tristes um sem o outro. Daria pra ter um hetero homem na minha vida pra variar, sem ser meu parente ou professor ou ex-peguete. Daria pra sonhar com filhos biológicos, vida yuppie e sogras. Daria pra planejar macarronadas de domingo. Daria pra levar as crianças nos meus e nos seus jogos, mesmo que elas nunca ficassem paradas nem entendessem nada. Mas não daria.

Mas hoje acordei com aquela sensação que vem do coração mas se sente no estômago. E eu andei arrotando esperança.

domingo, 9 de maio de 2010

Cásper Liberando.

Antigamente vinha tendo aqueles momentos em que visualizava a linha tênue das minhas próprias circunstâncias. A frágil diferença entre estar em alguém ou por alguém. Simplesmente ter alguém soava mais lógico na minha cabeça, ou pelo menos na maior parte do tempo em que estava reclamando.

Um sábio e extinto amigo me disse uma vez que a verdade é que eu queria ter simplesmente porque não tinha. O quão egoísta e mimado isso me pareceu só os meus quinze minutos de fúria reafirmavam, mas agora isso, de fato, faz sentido. E fede.

Eu não culpo ninguém por essa epifania dura referente a relacionamentos que venho tendo. Não foi nenhum trauma ou circunstância. Simplesmente realizei aquela frase básica e indigesta: deixando a vida me levar. Seguindo meus instintos, sendo mais verdadeira para comigo e para com qualquer outro.

Então, em um período curtíssimo de tempo, fui o mais verdadeira possível com aquele que me era tão querido para resguardar o meu momento. Repensar as minhas concepções e deixar com que vida levasse também a ele. Minhas desculpas sinceras a qualquer mágoa que este ainda guarde.

De tudo isso, sei que o que deve mudar não é qualquer outro a não ser eu mesma. Minha mais uma vez linha tênue diferenciando o que tenho e o que posso fazer. Só me esqueço do que eu realmente deveria continuar fazendo.

Descomplicar tudo! Beber menos e parar de pensar que todos estão sempre bêbados quando vêem a mim. Beber mais. Me amar. Ter menos medo. Desejar não ser tia e ter um bom marido que me ame e todo o clichê feliz. Ver além dos meus olhos e parar de tentar enxergar com os olhos das outras pessoas. Bancar menos a palhaça, falar menos putaria, falar mais putaria, bancar mais a palhaça. Ouvir power disco new wave com velhos amigos tomando vodca barata, e axé de salvador tomando breja hype com os amigos de faculdade.

Falando em hype, foda-se tudo! Meus conceitos sobre qualquer coisa pré-fabricada pela minha mente! Quero mais baladas universitárias, mais gente diferente do meu mundinho! CASPER LIBEREI! Ou pelo menos deveria ter cásper liberado.

Mais amor para mim e menos hipocrisia nessa vida!
E devo acrescentar que devo tudo isso a uma mente direitista, o que parece hipócrita, mas é bem mais cômico (e, consequentemente, trágico) do que qualquer outra coisa.

domingo, 14 de março de 2010

I do care.

Hoje ele disse que ninguém se importava. Eu disse que os amigos e a família sempre se importam. Durão e orgulhoso como é, olhou para cima e disfarçou as primeiras lágrimas que vi nos olhos verdes-Irlanda que lhes foram herdados. Segurei meu próprio pranto, mas a vontade era de chorar transloucada. Quando levou as mãos ao rosto marejado e se recompôs, me contou que sua mãe não lhe ligava haviam 2 meses e que ele foi criado com a avó porque ela nunca se importou. Lembrei de Lennon e a sua tia Mimi.

Eu me importo, eu disse. Ele disse que eu não entendia. É verdade, eu não entendo, minha mãe é a pessoa que mais se importa comigo neste mundo.

First I cried for him and then i cried for me, hunted by the ghost of the girl I used to be.
But the rocks with holes are warm in my hand and I burried my toes in a hot hot sand.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

(Alguma) Fé

Os muito céticos que me perdoem,
mas interjeições cristãs são fundamentais!

Fim.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

The softest girl in São Paulo city would like to know why you're so pretty, wow wow.

Hoje fui buscar minha carteirinha na Cásper.

É até envergonhante dizer, mas foram poucas as vezes que me dei o prazer de andar sozinha pela Paulista. Sai da faculdade e deixei uma turma de 12 estudantes, para mais ou menos, a caminho do bar.

Saindo do prédio da Gazeta, e ainda com uma sensação de formigamento no estômago, demorei um tempo para me decidir entre a esquerda e a direita. Rumei à direita, seguindo o contorno lateral do Masp.

Naquele momento, sem nenhuma gota de álcool no meu sangue, eu estava feliz. Interagir não é assim um bicho de sete cabeças, afinal.

Por um momento, me peguei andando a passos apressados, como sempre faço. Sorrindo meio abestada, policiei meus passos, indo da quinta marcha para a segunda, esperando o farol fechar sem me preocupar em atravessar correndo, contando quantos gringos encontrava e em que intervalo de tempo, sem pensar muito porque estava seguindo para o lado da Consolação.

Cruzando o vão do Masp pela calçada, li uma placa com o seguinte dizer: "se você tem tempo para ler essa placa, então tem tempo para falar comigo". Ri e parei. Era eu palhaço de rua, vendendo seu pequeno livro xerocado em folha sulfite, feito com caneta. Bem rústico, humor inteligente, senhor simpático, dois reais. Enquanto pegava algumas moedas, murmurei um desabafo engraçado.
"Acabei de perceber que minha faculdade começa semana que vem". O palhaço de black power natural me empurrou a mão. "Mas olha! Parabéns!". Agradeci, dei-lhe a mão, as moedas e um desejo de boa sorte.

Por ironia, lembrei-me do presente atrasado de aniversário da japonesa. Voltei a apressar o passo e desci dois ou três quateirões da Augusta praticamente na "banguela". Sem condições, a antiguidade beatlemaníaca estava fora do meu orçamento. Subi o par de esquinas engatada e entrei no Conjunto Nacional, voltando meu pensamento para Jane Austen. Na livraria, encontrei por um bom preço uma capa de tecido avermelhado e pintura romântica para a Winy e um auto-agradinho irlandês para meu momento epifânico.

I'm young but I can do things,
I'll fly away with my wings, aw...

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Conspiração

Uma boa analogia para se fazer sobre o Carnaval e uma esperança antiga que se desfalece é que ambas terminam no começo de um ciclo e, inevitavelmente, o bom folheão teve ressaca.
Agora, definindo ressaca, estou me referindo à sensação de esgotamento, à dor no estômago ( semelhante a um soco), à náusea, à necessidade de não ser tocado até tomar um bom Epocler. Também me refiro à lembrança moral, às vergonhas, aos embarassamentos, ao medo incontido de uma euforia incontrolável.
Mas sem bem não lhes falhar a memória, boêmios da festa da carne, viveram! Ah, quantas marchinhas, e fantasias e confetes lhes sobraram nas roupas e nas memórias!
E nós, desiludidos "d'algo", vivemos! Ah, quantas borboletas no estômago, e sorrisos incontidos e expectativas suficientes para o deleite!

E então, meus amigos, e principalmente você, meu amigo de boemia que me tachou virgem de carnaval, o bom mesmo é saber que, apesar da quaresma (para o sim ou para o não), tudo vai acabar terminando em festa ( também ressacas) até o matrimônio ou o que você considerar o seu 'bacanal final'.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

He cums then he runs

Ele tem aquela criatividade que se espera de alguém do seu porte e intelecto. Apenas não digo limitado porque até Jesus já foi carpinteiro. Okay, convenhamos, é burro como uma porta. Foge de qualquer assunto que não seja música e putaria.
Se diz seguro e dono de qualquer situação. Esnoba qualquer garotinha que lhe ronde por mais do que um par de coitos. Quem quer compromisso quanto se tem 22 anos? Nós, os nerds apenas.
A geração 'too cool for school' está por ai tomando todas e fazendo qualquer faculdade de administração... ou carpintaria.
É certo dizer que o sono é inevitável e justo quanto se é uma da madrugada e tens o perfil de alguém que não é de muito papo depois que a tua cartela genética está entre tua virilha e teus dedos.
Mas de certa forma, e por mais divertido que tudo seja até certo ponto, você ainda fede a vômito e Rexonna na minha mente.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Miami Ink versão garanhão irlandês.

- Boa tarde!
- Hey-hay, o que posso fazer por vc hoje, jovem ladie?
- Okay, eu tenho essa idéia louca de um par de tatuagens. Uma em cada parte de trás das minhas pernas.
- Soa legal, o que seria?
- Seriam dois trevos. Um trevo de três do lado direito e um de quatro no esquerdo.
- HAHA, original!(sarcasm)
- Calado!
- Posso saber o por que?
- É só essa idéia que tenho. O lado direito, sendo o da razão, seriam os meus pensamentos, minhas crenças, meu lado claro e certo. Daí o trevo de três folhas, Saint Patrick style. O lado esquerdo, o do coração (e da subversividade francesa), são a minha sorte, minhas escolhas...daí o de quatro folhas.
- Agora consigo enchergar isso de outra forma! Podemos fazer isso ainda hoje! Você quer old school style, meio pirata team e tal?
- Totalmente, deixo em suas mãos o design.
- Maravilha.
- Uma exigência apenas.
- Todo ouvidos.
- Você tem que me dar o de quatro folhas de presente.
- O quê?
- Quer dizer, de forma figurativa! Eu te pagaria um show, uma prostituta ou qualquer outra coisa de mesmo valor, mas quero 'fingir' que este eu rebebi de presente.
- LOL! uma prostituta? Okay, eu aceitaria um show e umas pints...mas você como acompanhante tem que estar incluido no pacote.
- Certo.
- Hmmm, e seria como um encontro?
- Não, negócios.
- Por que isso então?
- Porque um trevo de quatro folhas é um talismã...e talismãs tem que ser dados, é isso.
- Justo o suficiente...vou fazer uns rascunhos e procurar um bom show por aqui então. Me dá um par de horas?
- Okay, volto em um par de horas então. Até!