quarta-feira, 14 de julho de 2010

Cor de berinjela

Minha mãe já colocou berinjelas na fruteira de casa, motivo de um acesso incontrolável de risos da companheira/irmã japonesa. Mas acabou que eu gostei delas ali. Nunca perguntei o porque de tais legumes estarem em uma fruteira, mas a imagem da cor na minha cabeça é indelével. Segundo os místicos, essa cor combate medos e contribui para a paz interior.

Comprei um novo relógio pra cozinha, cor de berinjela. Reparei que tenho seis blusas e duas bolsas cor de berinjela. Não sei se sou tão medrosa, mas paz interior não tenho. Quem têm? Gandhi? Carpinteiros famosos? Pacifistas esquerdistas? Minha poodle idosa? Enfim, o fato é que aparentemente estou buscando a minha. Subjetivamente novamente.

domingo, 4 de julho de 2010

O que vem do coração mas se sente no estômago

Eu não gosto de você. Eu não gosto de você nem de mim mesma. Mas estou tentando gostar. De mim mesma. Não dê.

Você. É engraçado perceber o quanto me pego perdida em você. Te esperando. Maquinando se minha ansiedade é recíproca.

Nem em um bilhão de anos tudo isso daria certo. Ou daria se eu não fosse inadequada.

Para mim e para você. Daria pra casar e fazer sexo mimimi ou selvagem. Daria pra beber breja nacional barata ou Guinness Extra Stout e rir de como eramos tristes um sem o outro. Daria pra ter um hetero homem na minha vida pra variar, sem ser meu parente ou professor ou ex-peguete. Daria pra sonhar com filhos biológicos, vida yuppie e sogras. Daria pra planejar macarronadas de domingo. Daria pra levar as crianças nos meus e nos seus jogos, mesmo que elas nunca ficassem paradas nem entendessem nada. Mas não daria.

Mas hoje acordei com aquela sensação que vem do coração mas se sente no estômago. E eu andei arrotando esperança.